quarta-feira, 12 de abril de 2023

A QUANTA VIOLÊNCIA UMA CRIANÇA É SUBMETIDA?



O filme Castelo de Vidro exibido pela Netflix retrata a vida da jornalista Jeannette Walls (Brie Larson), que já adulta, com uma vida profissional estabelecida e noiva se depara com o estilo de vida desajustado dos pais e memórias de uma infância marcada por negligências e pelos insucessos do genitor alcoolista. Expostos a todo tipo de vulnerabilidades, os filhos do casal criam um forte laço para se protegerem das constantes ameaças. A trama nos leva a uma longa viagem a infância de Jeannette, destacando a profunda relação idealizada com seu pai herói. Tem por ele grande estima e esperança na mudança. Sr. Wall esconde um passado de abusos e uma mãe perversa. Amoroso e sonhador promete aos filhos construir um castelo de vidro que nunca chegou a ser fundado, apenas em palavras. 

Essa dura história põe a prova quanto as crianças são vulneráveis a todo tipo de violência. Em destaque, as perpetradas pelos próprios genitores. No caso, os Walls, tiveram os direitos negados: de frequentar a escola, de alimentação, moradia, acompanhamento médico, do convívio em sociedade, já que, os pais buscavam moradia em locais isolados e permaneciam por curto período. As crianças eram silenciados, isoladas e invisibilizadas. 

Outro aspecto que chama atenção é que não apenas a história dos filhos Wall é cheia de violências, ambos, sr. e sra. Wall, apresentam aspectos da relação caótica com suas famílias. O filme sugere inclusive que sr. Wall seria vítima da mãe pedófila.

Que tal pensarmos esse tema no nosso contexto? Quantas crianças você conhece sofre de algum tipo de violência? Como tratamos esse assunto? Se você não sabe de nenhum caso, provavelmente, deve ter associado violência aos casos extremos que, fatidicamente, só nos dão notícia quando atingem as mídias, os noticiários da TV, nos livros ou nos filmes.  Não, não é disso que se trata. Algumas camadas da violência são aceitas socialmente, mas que tem um potencial intensamente traumático.  Uma queixa muito comum nos consultórios é sobre a forma violenta que experimentaram a autoridade dos pais. Desde quando passamos a acreditar que palavras depreciativas educam crianças? E que a violência educa? Tais atitudes sinalizam a total falência da educação. A quanta violência uma criança é submetida? E quais são as repercussões na vida deste sujeito?  A única certeza que nos resta é que, caso padrão raivoso de educação ancestral não seja interrompido, teremos a garantia da incessante reprodução de violências e com ela a sucessão de erros.

Enquanto o estado caminha em passos lentos pensando em medidas para prevenir atos violentos nas escolas, nós, adultos, precisamos repensar a violência dentro de casa. Na relação fragilizada de pais e filhos dependentes tecnológicos. Hoje, não apenas as crianças estão hipnotizada pelas telas, cabe lembrar que, essa história começa por nós. O tempo que investimos com nossas crianças está cada vez mais escasso, sem qualidade. As brincadeira, o bom humor quase extintos e, é óbvio, certamente, tudo isso uma hora ia fazer muito barulho. Não dá para depositar tudo na conta da escola, enquanto a família segue com as mesmas práticas de seus velhos pais. Estamos falhando! 

Que nosso lar seja um lugar de paz, que seu abraço seja o melhor lugar.

Até mais!

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Um brinde aos reencontros

Uau! Descobri que tenho um blog e que muita coisa mudou por aqui e na vida! Que bom que pra melhor!

Eu não trabalho mais com terapia comportamental e isso faz muito tempo. Eu já amava a Psicanálise, mas nunca tive a oportunidade de me dedicar ao estudo. Finalmente, após minha transição de carreira da área organizacional, onde trabalhava com Gestão de RH pude mergulhar em tempo integral na clínica e aos estudos. Comecei minha análise pessoal no primeiro ano da faculdade de psicologia em 2000, paralelamente, aos estudos dos textos de Freud na faculdade surgia um amor. Naquela época, nem de longe passava pela cabeça atuar como psicanalista. Eu nem sabia ao certo o que eu queria da vida. Depois que deixei a antiga empresa iniciei um pós em Psicologia Clínica, psicanálise, direto na veia, só com gente fera, Maria Anita Ribeiro, Maria Helena Martinho, Glória Sadala, entre outros. Abandonei 100% TCC e fiz da minha clínica a minha maior paixão. Resolvi embarcar na Saúde Pública, outro amor, mas cheio de desafios. Comecei a participar dos Seminários do Campo Lacaniano e aqui estou eu.

Atualmente, mantenho a clínica e trabalho na emergência psiquiátrica de um hospital geral. 

O blog me fez pensar sobre minha escrita...

Sigamos por aqui.

A ERA DA PATOLOGIZAÇÃO DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA

Na última década, a crescente busca de pais e educadores por diagnósticos de crianças e adolescentes vem aumentando avassaladoramente, gera...