Cintia Carvalho J. Vieira - Psicóloga
segunda-feira, 16 de março de 2026
A ERA DA PATOLOGIZAÇÃO DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA
domingo, 11 de maio de 2025
Feliz dia das Mães
| FELIZ DIA DAS MÃES!!! |
Enquanto preparava o almoço com minha filha, culpava a cebola pela lágrima que corria
É que o dia das mães não é qualquer dia
Com o passar do tempo surge uma fronteira imensa entre nós
A língua que falas já não é mais a minha
Isso é recíproco
Tem algo diferente
Aos poucos nos tornamos estrangeiras
A minha mãe já dizia há muito: não consegues ver com meus olhos?
Eu lhe respondia: Já posso ver com os meus
Só assim fui capaz de seguir
Mesmo que doa quero que sigas para muito além de onde pude chegar
Não é fácil ser mãe, nem mesmo, ser filha
Há quem diga: Feliz dia das Mães! Bom, que seja!
Até breve!
@cintiacarvalho.psisábado, 29 de março de 2025
O QUE A SÉRIE ADOLESCÊNCIA E A "LOUCURINHA" DO PAI QUE JOGOU O FILHO NO RIO TEM EM COMUM
Por: Cintia Carvalho J. Vieira - Psicóloga Clínica
Rio
de Janeiro, 29 de março de 2025.
No último mês a minissérie ADOLESCÊNCIA, fenômeno da NETFLIX, ganhou olhares atentos e elogios dos mais diversos espectadores. A minissérie conta o
drama de uma família que é surpreendida pela acusação de que filho Jamie
(Owen Cooper) de 13 anos seria o autor da morte de uma colega de turma. Jamie
vive com os pais e a irmã mais velha, com todo suporte de uma família de classe
média. O que chama atenção do público e intriga os investigadores é a motivação
do crime que com ajuda de um adolescente é elucidado.
Stephen Graham, um dos criadores da
série explica que embora não se trate de uma história real a série foi
inspirada numa constatação dramática de uma crise real: As adolescentes do
Reino Unido estão sendo mortas e a motivação seria a cultura misógina e o
movimento dos Incels nas redes sociais. O termo cunhado nos anos 90 é uma
abreviação de celibatários involuntários e se baseia na ideia de que as
mulheres são culpadas por todo fracasso sexual dos homens e refere a elas ódio
e acusações infundadas. Mas o que a série tem em comum com o pai que jogou o
filho da ponte?
No último dia 25 um pai de 40 anos foi
preso por assassinar o filho de 5 anos após jogar a criança de uma ponte no Rio
Grande do Sul. Em depoimento, disse que matou o filho como forma de se vingar
da mãe da criança, sua ex-companheira. O plano A, segundo ele, era matar a
mulher e o namorado, mas desistiu. Após
o homicídio, Tiago enviou uma mensagem de áudio à ex-companheira informando o
que havia feito. “Viu, gúria, seje forte. Fiz uma loucurinha agora, tá?
Guenta o coração agora para o resto da vida. Atirei o Théo lá embaixo da ponte
agora”. A mulher foi ouvida pela
polícia e relatou que o acusado era possessivo, ciumento e não tinha episódios
de agressividade, embora já houvesse registrado ocorrência conta o ex.
Por que o término de um relacionamento
ofende tanto os homens que eles acreditam que tem o direito de castiga-las?
Afinal, em toda história, são eles que traem, as humilham e cometem todo tipo
de violência.
A lógica dos homens se sentirem
ofendidos e dirigirem tanto ódio e violência quando uma mulher decide terminar
um relacionamento vem da mesma tese que culpabiliza as mulheres dos fracassos sexuais
dos homens. Nesse discurso machista o homem é o único que não pode perder, ele
é quem dita as regras, um ser de supremo poder e nega a mulher o direito de
existir, como tantos outros direitos que foram e ainda são negados. Numa
sociedade machista são os homens que criam as leis, em benefício próprio numa
tentativa de dominação. As mesmas leis que as tornam objetos e durante muitos
anos negou o direito ao estudo, ao trabalho, ao voto, ao divórcio e que ainda
nega o direito de optarem pela interrupção da gestação, a salários que façam
jus a dupla e tripla jornada de trabalho e, sem contrapartida, não oferece quaisquer
tipos de suporte efetivo que leve em conta a saúde e o bem-estar da mulher. Ao
contrário, a luta do feminismo permanece em busca de igualdade.
A gente mata uma mulher toda vez que
tenta justificar um abuso, quando um Daniel Alves é absolvido, um Neymar é
idolatrado, quando rivalizamos em busca do príncipe encantado, ridicularizamos
os corpos das nossas iguais, agimos preconceituosamente com as mais diversas formas
de masculinidade, quando permitimos que os discursos opressores façam parte da
rotina das nossas crianças, quando usamos nosso voto para elegermos pessoas com
discursos de ódio, claramente sem interesse pela pauta feminista e quando deixamos
os algoritmos educarem nossos filhos.
O machismo acabou de matar um filho,
cujo assassino era pai que não aceitou o fim do relacionamento.
A misoginia mata todos os dias porque é
filha do machismo, fruto do ódio que se atualiza aceleradamente.
Precisamos trazer a luz esse tema nas
nossas casas, com nossos maridos, filhos, nas escolas, nos espaços públicos e nas
instituições. É urgente!
A constatação é real: Mulheres de todo
mundo estão sendo mortas e, diretamente, os filhos e a culpa é do machismo.
Esse texto é dedicado a memória de Jaqueline Araújo, brutalmente assassinada pelo ex-namorado em 22/03/2025.
domingo, 19 de novembro de 2023
A CRIANÇA, A MORTE, O LUTO.
Na última sexta-feira, em meio a um plantão, recebi a notícia inesperada do meu filho Pedro, que nosso querido amigo Ronaldinho havia falecido. Ronaldo, o hamster, foi nosso primeiro bichinho de estimação. Ele nos trouxe muitas alegrias, demos boas risadas e tiramos um pouco do mau humor que nos rondava.
Quando
cheguei em casa me deparei com a imagem de Pedro com o amiguinho nas mãos,
lamentando e chorando sua partida. Era tão novinho, quero ele de volta,
ele dizia. Logo, acolhi meu menino, dei-lhe um abraço e o escutei. Assim ele se
distraiu quando viu que o computador estava ligado e permaneceu no seu joguinho
até no final da noite quando saímos para jantar. Lá não havia telas para
distrai-lo e, foi então, que ele pôde acessar a experiência nunca antes vivida por
ele: A morte. Pedro, aos prantos, expressava sua dor, me pedia colo, recusou
sua bebida preferida e o jantar escolhido por ele. Está doendo muito,
mãe. O gemido de dor ressoava naquele espaço barulhento.
No carro,
pediu que eu o acompanhasse no banco de trás e o choro persistiu ao final da
noite. Correu para o meu quarto esperando meu alento e pediu para dormir abraçado
comigo, foi então que, o choro pela perda do Ronaldo se transformou no choro da
criança que teme a perda da mãe. Mamãe, não quero que você se vá! Assim
adentramos a madrugada abraçados, ambos chorando, falando sobre a vida: sobre
medos, sobre a morte, sobre Ronaldo e sobre a mãe.
A importante experiência do luto, a expressão da dor, o diálogo advindo dele só foi possível porque havia atenção. A atenção nas telas é um hábito perigoso de nossa cultura. Calligaris, psicanalista e escritor famoso, chega a mencionar sobre a dificuldade que temos em manter atenção na vida e, acrescento, em nós. De acordo com ele, tendemos a caminhar para uma vida cada vez menos interessante, cuja cultura não está disposta a fruir da vida com uma intensidade que valha a pena, é ai que, criamos mais uma tensão para a criança e futuro adolescente, já que viver implica perceber, sentir e elaborar a vida como ela se apresenta, seja quando se perde um brinquedo, um amigo ou a própria mãe.
A geração de pais que a única preocupação é manter os filhos felizes e entretidos fica uma questão? Queremos para nossos filhos uma vida surperficial e sem sentido ou uma vida que vale a pena ser vivida?
Que
nada tire nossa atenção do que importa.
Bon Voyage.
quarta-feira, 26 de abril de 2023
quarta-feira, 12 de abril de 2023
A QUANTA VIOLÊNCIA UMA CRIANÇA É SUBMETIDA?
O filme Castelo de Vidro exibido pela Netflix retrata a vida da jornalista Jeannette Walls (Brie Larson), que já adulta, com uma vida profissional estabelecida e noiva se depara com o estilo de vida desajustado dos pais e memórias de uma infância marcada por negligências e pelos insucessos do genitor alcoolista. Expostos a todo tipo de vulnerabilidades, os filhos do casal criam um forte laço para se protegerem das constantes ameaças. A trama nos leva a uma longa viagem a infância de Jeannette, destacando a profunda relação idealizada com seu pai herói. Tem por ele grande estima e esperança na mudança. Sr. Wall esconde um passado de abusos e uma mãe perversa. Amoroso e sonhador promete aos filhos construir um castelo de vidro que nunca chegou a ser fundado, apenas em palavras.
Essa dura história põe a prova quanto as crianças são vulneráveis a todo tipo de violência. Em destaque, as perpetradas pelos próprios genitores. No caso, os Walls, tiveram os direitos negados: de frequentar a escola, de alimentação, moradia, acompanhamento médico, do convívio em sociedade, já que, os pais buscavam moradia em locais isolados e permaneciam por curto período. As crianças eram silenciados, isoladas e invisibilizadas.
Outro aspecto que chama atenção é que não apenas a história dos filhos Wall é cheia de violências, ambos, sr. e sra. Wall, apresentam aspectos da relação caótica com suas famílias. O filme sugere inclusive que sr. Wall seria vítima da mãe pedófila.
Que tal pensarmos esse tema no nosso contexto? Quantas crianças você conhece sofre de algum tipo de violência? Como tratamos esse assunto? Se você não sabe de nenhum caso, provavelmente, deve ter associado violência aos casos extremos que, fatidicamente, só nos dão notícia quando atingem as mídias, os noticiários da TV, nos livros ou nos filmes. Não, não é disso que se trata. Algumas camadas da violência são aceitas socialmente, mas que tem um potencial intensamente traumático. Uma queixa muito comum nos consultórios é sobre a forma violenta que experimentaram a autoridade dos pais. Desde quando passamos a acreditar que palavras depreciativas educam crianças? E que a violência educa? Tais atitudes sinalizam a total falência da educação. A quanta violência uma criança é submetida? E quais são as repercussões na vida deste sujeito? A única certeza que nos resta é que, caso padrão raivoso de educação ancestral não seja interrompido, teremos a garantia da incessante reprodução de violências e com ela a sucessão de erros.
Enquanto o estado caminha em passos lentos pensando em medidas para prevenir atos violentos nas escolas, nós, adultos, precisamos repensar a violência dentro de casa. Na relação fragilizada de pais e filhos dependentes tecnológicos. Hoje, não apenas as crianças estão hipnotizada pelas telas, cabe lembrar que, essa história começa por nós. O tempo que investimos com nossas crianças está cada vez mais escasso, sem qualidade. As brincadeira, o bom humor quase extintos e, é óbvio, certamente, tudo isso uma hora ia fazer muito barulho. Não dá para depositar tudo na conta da escola, enquanto a família segue com as mesmas práticas de seus velhos pais. Estamos falhando!
Que nosso lar seja um lugar de paz, que seu abraço seja o melhor lugar.
Até mais!
quinta-feira, 6 de abril de 2023
Um brinde aos reencontros
Uau! Descobri que tenho um blog e que muita coisa mudou por aqui e na vida! Que bom que pra melhor!
Eu não trabalho mais com terapia comportamental e isso faz muito tempo. Eu já amava a Psicanálise, mas nunca tive a oportunidade de me dedicar ao estudo. Finalmente, após minha transição de carreira da área organizacional, onde trabalhava com Gestão de RH pude mergulhar em tempo integral na clínica e aos estudos. Comecei minha análise pessoal no primeiro ano da faculdade de psicologia em 2000, paralelamente, aos estudos dos textos de Freud na faculdade surgia um amor. Naquela época, nem de longe passava pela cabeça atuar como psicanalista. Eu nem sabia ao certo o que eu queria da vida. Depois que deixei a antiga empresa iniciei um pós em Psicologia Clínica, psicanálise, direto na veia, só com gente fera, Maria Anita Ribeiro, Maria Helena Martinho, Glória Sadala, entre outros. Abandonei 100% TCC e fiz da minha clínica a minha maior paixão. Resolvi embarcar na Saúde Pública, outro amor, mas cheio de desafios. Comecei a participar dos Seminários do Campo Lacaniano e aqui estou eu.
Atualmente, mantenho a clínica e trabalho na emergência psiquiátrica de um hospital geral.
O blog me fez pensar sobre minha escrita...
Sigamos por aqui.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Quando o medo vira Pânico
O medo nos coloca em um estado de alerta e, em geral, pode provocar uma série de respostas físicas que incomodam, como descargas de adrenalina, aceleração cardíaca e tremor. O medo pode virar uma doença quando intensificado e irracional, damos o nome de fobia quando este passa a comprometer as relações sociais e causar sofrimento psíquico. As fobias fazem parte do conjunto de doenças de ansiedade mas, com o diferencial de só se manifestar em situações específicas. Existem três tipos de fobia: na Agorafobia há o comportamento de evitação provocado por lugares ou situações onde o fóbico se vê impossibilitado de se locomover caso haja uma crise. Na fobia social, o indivíduo tem receio de ser exposto, de ser observado e teme comentários. No caso da fobia específica, ocorre o medo diante de um objeto específico.
Já a síndrome do pânico, o indivíduo tem sintomas físicos, um mal-estar súbito que envolve taquicardia, sudorese, tremores, vertigem e sensação de desmaiso e muitas vezes associa-se a morte. É uma síndrome de difícil diagnóstico pois em muitos casos os sintomas não duram tempo suficiente até chegar a um atendimento hospitalar e os exames não apontam essa síndrome.
O tratamento adequada das fobias depende do tipo de fobia e quanto ela influência em sua vida. Em todos os casos se faz uma investigação para tentar entender a origem. Em alguns casos, o uso de farmacos também é indicado. O tratamento ocorre passo a passo a partir do conhecimento das reações físicas, psicólogicas, das técnicas de relaxamento e da desmistificação das crenças negativas, a aquisição do conhecimento do objeto ou situação causadora da fobia. O psicólogo faz um planejamento onde gradualmente expõe o paciente ao estímulo causador de seu medo. Essa exposição poderá ser feita através de fotos, sons, objetos, mídias, até que ele esteja preparado para a gradual exposição ao vivo que se repetirá até que a ansiedade baixe visivelmente e a pessoa aprenda recursos para lidar sozinha com a situação temida e então receba a tão esperada alta.
Artigo publicado na Segunda-Quinzena, no Jornal Tribuna dos Bairros (Rio das Ostras) em Março de 2009.
sábado, 21 de agosto de 2010
Bem-vindo ao meu mais novo blog!
A idéia desde blog é trocar informações e expandir o networking. Sou psicóloga formada pela PUC-Rio, 2006. Atualmente, estou voltada para área de Recursos Humanos mas também atendo em consultório particular. Presto consultoria de Recursos Humanos, realizo serviços de recrutamento, seleção, treinamento e desenvolvimento organizacional.
Espero realizar contatos e postar textos e debate-los.
Um grande abraço.
Cíntia
A ERA DA PATOLOGIZAÇÃO DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA
Na última década, a crescente busca de pais e educadores por diagnósticos de crianças e adolescentes vem aumentando avassaladoramente, gera...
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