quinta-feira, 3 de setembro de 2026

HIPERCONECTIVIDADE: Quem diz a hora de desligar?



HIPERCONECTIVIDADE: Quem diz a hora de desligar? 

        Quem nasceu antes da década de 1980 certamente acompanhou a crescente evolução das máquinas e das tecnologias. Conheceu de perto os orelhões, o telefone fixo e os famosos aparelhos celulares “tijolões”. Quem poderia imaginar que, anos depois, teríamos em um único aparelho tantas funções? Os aparelhos mudaram e a sociedade acompanhou essas transformações, que promoveram novas formas de se relacionar no mundo. 
       Como se não bastassem os efeitos de uma pandemia que durou anos, agora precisamos lidar com as consequências da epidemia de hiperconectividade. Durante o isolamento, com o trabalho remoto e o fechamento das escolas, o celular se tornou nosso maior aliado. O problema é que os aparelhos não desligam nunca — e nós também não. 
        Desvencilhar-se do aparelho é uma tarefa árdua, mas escapar da lógica que nos foi introjetada é ainda mais difícil. As redes sociais e os aplicativos nos impõem um ritmo de urgência, convocando-nos a produzir respostas rápidas o tempo todo. Tornamo-nos sujeitos intolerantes ao tempo de espera. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para um aumento de 25% nos casos de ansiedade e depressão desde a pandemia de COVID-19, e o Brasil lidera esse ranking. Somos os seres mais cansados e ansiosos de todos os tempos. Paradoxalmente, a vida exige o tempo de espera: para compreender, elaborar e concluir. É uma conta que não fecha e que exige do corpo um novo modo de funcionamento, sem permissão para o descanso. 
        Quem diz a hora de desligar? Já que não estamos mais sabendo, parece que o corpo está assumindo esse papel. Não à toa, em 2025 mais de meio milhão de licenças foram concedidas por transtornos mentais, Um novo recorde que dirige olhares atentos ao peso da saúde mental no total de afastamentos, segundo o Ministério da Previdência Social 546.254 destes se referem a quadros ansiosos e depressivos. de um total 4 milhões de licenças do trabalho. Um impacto na saúde, nas relações e na forma de experienciar a vida.

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